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O Vento que soa...

Sábado, 01.02.14

  

  

Conta-se que estando á beira da morte, um pai chamou seu filho e disse-lhe que mesmo não tendo riquezas para lhe deixar tinha um conselho para lhe dar, que valia ouro.

 

“Se tiveres um segredo, que não queiras ver espalhado pelo vento que soa, não o contes a ninguém. Nem a tua mulher, nem ao teu maior amigo. Guarda-o, porque um verdadeiro segredo guarda-se no coração…”

 

    

 

O rapaz aceitou o conselho, mas ficou muito intrigado, porque não entendia totalmente as palavras de seu pai.

 

Tanto pensou e matutou que resolveu fazer uma experiência. Lançaria um falso segredo a ver o que acontecia.

 

Andava ele a imaginar qual seria, quando se soube que um grande senhor das terras de Sortelha andando à caça, tinha perdido o seu falcão preferido. Oferecia uma bela recompensa a quem o entregasse no castelo, mas ai de quem lhe fizesse mal… Ora aí estava a historia que o rapaz precisava.

 

 

Como por acaso, tinha encontrado o falcão perdido que, cansado e com fome, se deixara facilmente apanhar, seria fácil testar as palavras de seu pai.

 

Convidou o seu maior amigo para jantar e disse-lhe que tinha morto, por acidente, o falcão tão procurado. O amigo ficou muito aflito e mais aflito ficou quando o anfitrião lhe disse que, para não arriscar a ser descoberto o tinha cozinhado e era precisamente o falcão que estavam comendo nesse jantar.

 

     

 

O pobre homem ficou tão aflito que nem sabia o que fazer. Se por um lado não podia trair a confiança do seu amigo, por outro lado aquele segredo pesava-lhe na alma. Então, em desespero, dirigiu-se à beira rio e falou em voz baixa para as canas:

“Foi o Zé do Feijão que matou o falcão”.

Mais aliviado e certo de estar sozinho, lá foi a sua vida.

 

 

No entanto e pouco depois um pastor que por ali andava cortou uma dessas canas para fazer uma flauta. Para seu espanto quando soprou, em vez de música só se ouviu:

“Foi o Zé do Feijão que matou o falcão”.

E claro, o segredo espalhou-se rapidamente. Logo foram a casa do Zé do Feijão que, facilmente provou estar inocente, ao apresentar o falcão vivo e de boa saúde.

 

   

 

E ainda recebeu a recompensa prometida pelo dono. Mas finalmente tinha percebido o quanto o seu pai era sábio e como eram valiosas as suas palavras…

 

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publicado por VANDOVSKY às 22:38

De passagem por Monsanto...

Domingo, 26.01.14

 

Nunca se sabe em Monsanto
(Que as águias roçam com a asa)
Se a casa nasce da rocha
Se a rocha nasce da casa.

Cardoso Marta

 

  

Erguendo-se altaneira no granito agreste de um cabo de rochas escarpadas, sobranceiro ao rio Ponsul pela margem direita, Monsanto, freguesia do concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco é uma aldeia de casa rústicas apertadas entre enormes penedos, de minúsculos quintais e hortas separados por muros de pedra e ruelas sinuosas com degraus com degraus talhados na rocha.

 

 

Começou por ser Monte Santo e foi refúgio privilegiado para povos primitivos - Por lá se encontram vestígios de uma ocupação anterior ao Neolítico e romanos, godos e árabes deixaram marcas indeléveis da sua passagem pelo local.

 

Muito do repositório etnográfico e antropológico desses povos ainda hoje sobrevive com as gentes da terra, com destaque para o adufe, instrumento musical tradicional que apenas deve ser tocado pelas mulheres.

 

Classificado imóvel de interesse público pelo Dec 28/82 de 26 de Fevereiro. Abrangido pela Zona Especial de Protecção definida em DG (2ª Série) 265 de 14-11-1950 (castelo e muralhas de Monsanto).

  

 

    

 

 

Ocupado desde a pré-história, foi povoado e fortificado no século II a.c., no período do pretora romano Emílio Paulo. Posteriormente, foi ocupado por visigodos e mouros. D. Afonso Henriques deu o lugar à ordem dos Templários, em 1165, tendo Gualdim Pais mandado erigir um castelo sobre as fortificações existentes, para aumentar as suas defesas.

 

 

O castelo ergue-se no cume do monte, sobre os vestígios de em castro lusitano, e o casario desce em cascata pela encosta norte, sendo frequente a utilização de grandes penedos graníticos como paredes ou cobertura das habitações.

  

   Casa de uma só telha

 

Em 1172 foi doado à Ordem de Santiago e dois anos mais tarde recebeu foral ainda de D. Afonso Henriques. Recebeu foral manuelino, em 1510. Na reforma administrativa de 1843 o concelho foi extinto. 

 

Capela de Santa Maria do Castelo (ou de Nossa Senhora do Castelo)

 

Situada no interior do Castelo de Monsanto, de presumível origem seiscentista, esta capela apresenta-se totalmente arruinada. Já se encontrava profanada no século XIX, e era então utilizada como armazém de víveres. Composta por nave e ousia, de que apenas subsistem as paredes, apresenta a frontaria enquadrada por pilastras toscanas, onde se rasga uma porta de arco abatido ladeada por uma pequena janela quadrangular. Em cada um dos alçados laterais existe uma porta simples, de verga recta.

 

 

   

 Pelourinho                                                          Igreja de São Salvador (Matriz de Monsanto)

 

- Pelourinho de Monsanto situado no Largo da Misericórdia, está classificado como Imóvel de Interesse Público (Dec. 23 122, DR, de 11-10-1933. Foi edificado em 1510, à época da renovação do foral da vila por D. Manuel I. De configuração simples e aspecto rude, é constituído por um plinto octogonal de onde arranca uma coluna de secção circular. O remate, cilíndrico e decorado por meias esferas, foi reposto na sua posição original em 1937, após ter sido encontrado na parede de uma casa das imediações.

 

- Igreja de São Salvador (Matriz de Monsanto) - Edificada no século XVI, em estilo maneirista, esta igreja concilia uma grande singeleza exterior, própria do estilo maneirista, com um interior de grande riqueza decorativa, em que predominam os elementos barrocos. O templo ergue-se a meia encosta, sobre um embasamento que compensa a inclinação do terreno.

 

 

Artesanato em Monsanto

 

          

  

 

Na infinidade de ruelas e veredas povoadas de casas, palheiros e furdas, representantes de uma arquitectura popular implantada ao sabor do relevo. A utilização do granito nas construções confere ao conjunto uma grande uniformidade entre o natural e o edificado. Este equilíbrio é, ainda, mais evidente quando os acidentes graní­ticos dão origem a curiosas utilizações de grutas e penedos integralmente convertidos em peças de construção.

 

     

 

       

  

 

Campanário e ruínas de S.Miguel 

 

 

  

No alto da povoação, antes da entrada da cidadela do castelo, encontram-se as ruínas desta Capela. Templo românico em pedra granítica, datado do século XII, ela é indício de uma primitiva povoação - S. Miguel - e sobrepõe-se a um monumento que se supõe de culto a Marte e a outros deuses pagãos. É rodeada igualmente por sepulturas escavadas na rocha granítica (cemitério paleo-cristão).

  

           

 

 

Em 1938, Monsanto ganhou estatuto de “aldeia mais portuguesa de Portugal”.

 

 - Titulo que arrebatou, no concurso promovido pelo Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo por ser a povoação mais característica do país e a menos "penetrada pela civilização dos outros".

 

 

 a magistrado na antiga Roma encarregado da administração da Justiça

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publicado por VANDOVSKY às 22:39

Percorrendo a Fortaleza de Sagres

Domingo, 15.09.13

 

 

O Promontório de Sagres (1 km de comprimento por uma largura máxima de 300 m), constitui um dos lugares míticos e símbolo da nossa identidade cultural e está associada a um dos momentos charneira da História de Portugal e do mundo. Ponto mais afastado do mundo, o Sacrum Promontorium foi desde os tempos remotos da Antiguidade porto de abrigo e local de culto que conheceu com o Infante D. Henrique o impulso decisivo que o tornaria o lugar de referência na expansão marítima portuguesa, a que se chamou Era das Descobertas.

 

 

Actualmente este local continua a ser um dos ex-libris do Algarve e destino de eleição para que visita Portugal.

 

 

Sabe-se como os antigos atribuíam aos promontórios um carácter místico, principalmente àqueles junto dos quais a navegação se tornava particularmente perigosa. Subir aos promontórios, obter os favores dos deuses, cumprir promessas, são gestos que transformaram a região do Cabo de São Vicente/Sagres em referência fundamental de todo o mareante. 

 

 

 

 

 

De construção henriquina a igreja paroquial de Santa Maria da feira foi edificada em 1459, para sede da paróquia de Sagres, que tinha como limite uma circunferência com raio de 4500m, centrada na igreja. A paróquia de Sagres teve uma vida útil curta porque desapareceu, no ano seguinte, com a morte do Infante D. Henrique. Reactivou-se sob a invocação de Nª Srª da Graça, e a ermida no interior da muralha voltou à condição de igreja matriz da freguesia de Sagres, quando esta, integrando a povoação de Sagres e as armações da Baleeira e do Beliche, foi criada em 1519, pelo Bispo do Algarve D. Fernando Coutinho.

 

 

 

Por volta de 1950, os serviços militares tinham deixado de ocupar o local e a fortaleza estava abandonada. Com a aproximação do V Centenário da Morte do Infante o interesse por Sagres reacendeu-se e pensou-se, devido ao valor simbólico do conjunto no imaginário da nação e do povo português, recuperar a antiga e suposta monumentalidade. De onde rsultou, no concurso público de 1954-57, com vitória do projecto de João Andersen.

 

Auditório  - instalado num antigo armazém para recolha de artilharia e reparos.

 

  

 

 

Também encontrado sob as formas ortográficas lapiez e lapiás, constitui um tipo de morfologia que caracteriza o modelado típico das regiões cujas rochas são susceptíveis de ser erodidas por dissolução.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Furnas 

 

 

   

 

 

A campanha de obras coordenada pelo arqº Ruy Couto, em 1959/1960, manteve alguns edifícios do século XVIII e destruiu as construções quer se encontravam mais degradadas. Na planta então executada, aparece, em grande destaque a designada "rosa-dos-ventos", redescoberta em 1921. trata-se de uma enigmática estrutura, uma espécie de um desenha gráfico composto por quarenta e oito fiadas de pedras, que são como raios contidos no interior de uma circunferência. A finalidade exacta desta estrutura mantém-se com um desafio aos estudiosos e abarca hipóteses com uma eira, um gigantesco relógio solar, um labirinto ou a possibilidade de que a ermida representada, numa gravura na revista Panorama, possuísse uma relação funcional com a figura geométrica.

 

     

 

 

Avistando o Cabo de São Vicente 

 

Pousada do Infante 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia: Sagres do Mar e do Tempo

Direcção Geral de Cultura do Algarve, 1ª edição

Set 2009

 

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publicado por VANDOVSKY às 17:38





      

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