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De passagem por Monsaraz

Segunda-feira, 23.08.10

 

Na margem direita do Guadiana, apenas a 3 Km deste, distando 40 Km de Évora e 30 de Vila Viçosa, ergue-se a praça-forte de Monsaraz, singular conjunto arquitectónico situado no cume de um cerro solitário.

 

 

Ao atravessar as portas da Vila tem-se a sensação de haver remontado a um passado distante. Aqui, tudo evoca uma época diferente: a arquitectura, a disposição das casas muitos brancas, o calcetamento das ruas, as cisternas e os portais góticos, a paisagem que se avista dos seus muros.

 

 

Vestígios arqueológicos provam que a região já era habitada desde tempos pré-históricos. Monsaraz foi um castro, ocupado depois sucessivamente por Romanos, Visigodos,  Árabes, Moçárabes, e Judeus. Após a Reconquista foi cristianizado e integrado na Coroa Portuguesa. Desde essa altura foi comenda da Ordem do templo, depois da Ordem de Cristo, e como tal se conservou até 1834. Foi o mestre Martim Anes que o repovoou e reconstrui no tempo de D. Afonso III, tendo o castelo sido construído no reinado de D. Dinis.

 

 

Embora de difícil acesso e com falta de água, era um lugar seguro, procurado, durante o longo período das guerras fronteiriças, pelos habitantes dos largos e abertos campos vizinhos.

Quando surgiam períodos de paz ou as guerras se tornavam mais raras, dava-se o abandono da vila, sempre temporário, pois com uma ou outra razão a guerra com Castela reavivou-se periodicamente até  ao século XVIII.

 

 

As pessoas que iam deixando Monsaraz deram origem a uma outra povoação: Reguengos. Quase se pode dizer que esta crescia em tempo de paz e Monsaraz era reabitada em tempos difíceis.

Para remediar a falta de água, os habitantes construíram duas cisternas: uma nos baixos do castelo, e por isso passou a chamar-se  a este local Porta do Buraco, outra no Largo da Matriz.

 

 

 

 

 

A fim de atrair população e evitar o abandona total da importante praça-forte, os reis outorgaram a Monsaraz diversos favores. D. Afonso V, por exemplo, concedeu-lhe  o privilégio urbanístico de calcetamento das ruas, o que foi feito com xisto da região, que ainda hoje se pode apreciar.

O que principalmente encanta nesta terra é a uniformidade do conjunto, ainda que não haja igualdade entre os diversos elementos. Aqui não encontramos eixo de simetria, mas há equilíbrio de volumes, e o único largo da terra obteve-se apenas pelo recuo de dois edifícios.

Monsaraz foi sede de concelho até 1838, quando um largo período de paz fez com que a vila de Reguengos a suplantasse e se tornasse concelho.

 

 

Monsaraz Museu Aberto, bienal que ocorre durante o mês de Julho, dá a conhecer os hábitos e costumes alentejanos no artesanato, na gastronomia e nos vários espectáculos culturais que aí têm lugar, incluindo a música, o teatro, a dança e exposições de artes plásticas.

 

 

 

O Grande Lago, o maior lago artificial da Europa, com 250 km2 de superfície, 83 km de comprimento e mais de 1100 km de extensão de margens, das quais cerca de 200 km integram o Concelho de Reguengos de Monsaraz.

A albufeira ocupa 13% da área do Concelho, definindo as sua fronteiras a Sul, nascente e Poente.

O Grande Lago é uma reserva estratégica de água que possibilita o abastecimento de uma população de cerca de 200 mil pessoas.

 

 

Dispõe ainda de um sistema global de rega que irá beneficiar uma área total superior a 100 mil hectares de regadio, incluindo a Estremadura espanhola. Possui, igualmente, uma das mais potentes centrais de produção de energia hidroeléctrica de Portugal.

 

 

O Grande Lago permite desfrutar de várias actividades náuticas e de inesquecíveis passeios de barco por entre centenas de ilhas e recônditos recantos de um imenso lago que sabe muito bem cativar o nosso olhar.

 

Bibliografia: "À Descoberta de Portugal", Difusão Cultural, 1988

"Guia Turismo", Maio 2010, Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz

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publicado por VANDOVSKY às 00:51


2 comentários

De Pedro Neves a 25.08.2010 às 18:38

Boa tarde,

O Vandovsky está em destaque nos Blogs do SAPO, em http://blogs.sapo.pt

Parabéns e boa continuação!

Pedro

De Maria a 27.08.2010 às 16:52

Olá!

Conheço muito bem estas paragens. As suas fotos são um testemunho da paisagem de casas brancas e de fartura de água, onde ela era escassa.
Obrigada por mostrar Portugal.
Maria

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