Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Mocho comi...

 

 

 Uma história que o meu avô materno nos contava, nas noites frias, quando estavamos à lareira

 

O Mocho e a Carriça

 

A Carriça – uma avezinha do bosque – estava muito feliz, no seu ninho, construído por ela num dos ramos mais altos de um carvalho. Sentia-se assim tão feliz porque lhe tinha acabado de nascer uma grande ninhada de filhinhos. Cantava, cantava, para eles, a fim de os adormecer, como qualquer mãe carinhosa.

 

         

Enquanto ela estava assim, neste enlevo, passou por ali uma Raposa gulosa que imediatamente sonhou com um bom almoço. Muito matreira dirigiu-se à Carriça, nestes termos: 

 

- Olá, comadre Carriça! Estás muito contente, hoje!

 

- Pudera! Não hei-de estar? Tenho aqui os meus filhinhos junto de mim e canto para os adormecer.
- Aí, é? Então, atira-me para cá um! – respondeu a raposa.

 

- Atirar um dos meus filhinhos? Nem penses nisso! Tanto que eu gosto deles!!!

 

Olha que se não me atiras um, cá para baixo, o meu rabo rabazolão deita o teu carvalho ao chão!!!

 

 

A pobre mãe, receando um mal maior, atirou, com grande desgosto do seu coração, um dos carricinhos.

 

A Raposa imediatamente o engoliu e partiu, nada satisfeita, para outro lugar.

 

        

 

No dia seguinte, à mesma hora, voltou a passar para junto da grande árvore onde se encontrava o ninho da Carriça. A pobre avezinha estava da mesma maneira, a cantar para os filhinhos que ainda tinha.

 

De novo, a Raposa meteu conversa com a Carriça:

 

 

- Então comadre Carriça, continuas contente!!! ...

 

- "Contente?! " – respondeu-lhe a Carriça. Não sejas má! Canto, mas estou triste e tu bem sabes porquê!!!

 

- Ora, ora … Atira-me para cá outro! …

 

- Outro??? … - respondeu-lhe a Carriça toda indignada.

 

- Isso é que eu não faço! Vai-te embora, malvada! Não tens coração!

 

- Olha que o meu rabo rabazolão deita o teu carvalho ao chão!!! – repetiu a raposa para meter medo à Carriça.

 

Esta coitadinha, mais uma vez pensou que se o carvalho caísse perderia os filhinhos! Então, chorando, atirou-lhe mais um dos carricinhos.

 

A Raposa, depois de o engolir, desatou a correr e desapareceu por entre as árvores do bosque.

 

A Carriça ficou soluçando, soluçando…

 

        

Mais tarde, passou por ali o Mocho Sábio que é muito amigo de todas as aves. Ouvindo o choro da Carriça, perguntou-lhe o que se passava. Esta, pobrezinha, explicou-lhe tudo o que a Raposa lhe dissera e como já tinha perdido dois dos seus filhinhos.

 

O Mocho , então, respondeu à Carriça:

 

- O quê? E tu acreditaste que a Raposa seria capaz de deitar o carvalho abaixo?! Ela só diz mentiras! Não tem força para isso!

 

Se ela voltar a passar por cá e te pedir outro dos teus filhinhos, responde-lhe assim: - Rabo de raposa não corta carvalho, só braço de homem ou gume de malho - ela que experimente a ver se é capaz de deixar cair uma árvore tão alta e forte. Está bem? Faz como te digo.

 

 

Assim foi. A Carriça, cheia de coragem, esperou que a raposa voltasse!

 

Mal ela se aproximou, pensando que teria outro bom almoço, já a Carriça estava preparada para lhe responder.

 

 

- Que tens hoje, Carriça, que não cantas?! – perguntou a Raposa com voz matreira.

 

- Não, não canto! – respondeu a avezinha com voz forte.

 

- Aí, não?! Então se não cantas atira-me cá para baixo um dos teus bebés!

 

- Isso é que tudo querias, mas não consegues! – respondeu a Carriça bem do alto da árvore!

 

- Olha que o meu rabo rabazolão deita o teu carvalho ao chão!!! – disse de novo a raposa.

 

E a carriça respondeu prontamente:

- Rabo de raposa não corta carvalho, só braço de homem ou gume de malho. Experimenta! Vamos ver se és capaz!

 

        

 

Nesse momento, a Raposa compreendeu que ia ficar mal colocada e, então, disse:

 

- Estás hoje muito sabida!!! Quem te ensinou isso?!

 

A Carriça com coragem retorquiu:

 

- Foi o Mocho Sábio!

 

- E onde está ele? – perguntou a Raposa.

 

- Olha, está lá ao fundo em cima da rocha grande!

 

A Raposa meteu o rabinho entre as pernas e correndo disse "por aí me sigo".

 

O Mocho estava a dormir, muito refastelado, em cima da pedra.

 

A Raposa, sem fazer ruído, abriu a boca e, de um trago, comeu-o, sem o mastigar, sequer.

 

 

Mas, como o Mocho sabia muito e era inteligente, dentro do estômago da raposa pôs-se a pensar na forma como haveria de sair de dentro do bicho. Tinha que ser mais esperto que a Raposa!... E foi!

 

Começou a dizer-lhe:

 

- Ó Raposa, tu de facto, fizeste uma coisa muito importante! Foste capaz de comer o Mocho Sábio! Todas os bichos e todas as pessoas deveriam saber isso!!! Olha grita bem alto: " Mocho comi! " – de maneira que se oiça lá na aldeia!

 

A raposa que era vaidosa, fez como o Mocho lhe disse, abriu a boca e gritou:

 

- Mo…o…o…cho comi…i…!

 

A ave, aproveitando o momento em que a Raposa tinha a boca aberta, saiu-lhe rapidamente da goela, gritando:

 

Haja outro, mas não a mim!

 

 

Versão retirada de :

 

http://www.minerva.uevora.pt/contos/mocho.htm
Feliz Natal

sinto-me:
música: jingle bells, jingle bells
publicado por VANDOVSKY às 00:01
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