Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

A minha Aldeia

Aglomerado Urbano de Castelo Novo, situado no sopé leste da serra da Gardunha. Freguesia de Castelo Novo, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco.

 

 

O povoamento deste local remonta ao Neolítico e Calcolítico, mantendo-se pelas idades do Bronze e do Ferro, tendo-se consolidado durante a ocupação romana. A povoação aparece pela primeira vez referenciada num documento datado do princípio da nacionalidade.

 

 

 

A designação de Castelo Novo parece estar relacionada com a existência de um anterior castelo, substituído pelo actual. Este novo castelo aparece referenciado num documento de 1223. Em 1510. D. Manuel I outorgou-lhe novo foral. No século XIX o concelho foi extinto e integrado no de Alpedrinha, pertencendo desde 1885 ao concelho do Fundão.

 

 

Uma casinha perdida, em plena serra da Gardunha, onde eu passava parte das minhas férias da Páscoa, e por vezes um período do mês de Setembro.

 

 

Uma vida completamente livre, onde reinavam os animais: uma cadela que nos vinha dar os bons dias à cama, umas cabritas que levávamos a pastar enquanto mimávamos os seus filhotes, que não nos largavam... Os grilos que apanhávamos e que levávamos para casa, proporcionando-nos uma enorme sinfonia durante toda a noite...

 

 

Pelourinho de Castelo Novo situado no Largo da Praça, está classificado de Imóvel de Interesse Público, pelo Dec. 23122 de 11/10/1933.

 

Possivelmente coevo da carta de foral concedida à povoação em 1510 por D. Manuel I, e da renovação então efectuada nos Castelo e nos Paços do Concelho, assenta num alto soco octogonal de seis degraus. O fuste, sem plinto, compõe-se de duas secções, sendo a inferior oitavada e lisa, e a superior estriada e ornada com bosantese elementos fitomórficos. O capitel ornado por meias esferas e flores-de-lis, conserva ainda os ferros das forcas. O bloco de remate, octogonal, encimado por uma pirâmide decorada com trifólios, apresenta em duas faces a cruz de Cristo e, nas restantes, a esfera armilar e o escudo nacional.

 

 

 

Os velhos Paços do Concelho delimitam o lado poente do histórico largo principal da aldeia, espaço onde se implantam o pelourinho e o solar dos Gamboas. Adossado à fachada principal do monumento, ergue-se um chafariz em estilo barroco joanino e, por detrás, ergue-se a torre de menagem do castelo medieval, convertida em torre sineira e dotada de um relógio.

 

 

Embora ostente as armas de D. Manuel, que denunciam uma intervenção arquitectónica ocorrida nesse reinado, a antiga Casa da Câmara tem origens muito mais antigas, remontando, possivelmente, ao século XIII. Perdeu a sua função de sede municipal com a extinção do concelho em 1835. O edifício, de planta rectangular e alçado de cantaria granítica nua, é percorrido na cimalha por uma cornija de onde se projectam seis gárgulas, Na frontaria de dois pisos, embelezada pelo fontanário joanino, abrem-se três arcos plenos sustentando uma longa varanda que serve o primeiro andar. Neste piso superior, rasgado por duas janelas e quatro portas de molduras simples, dispõe-se as armas reais de D. Manuel enquadradas pela cruz de Cristo e pela esfera armilar.

 

 

O Chafariz de D. João V adossa-se ao centro da frontaria da Casa da Câmara numa notável composição arquitectónica. É formado por um tanque de secção trapezoidal e por um corpo central, dividido por uma cornija em dois registos. No plano inferior surgem três bicas envoltas por florões. Imediatamente acima da cornija surge um ornamento floral inserido num arco canopial e, sobre este, dispõe-se as armas reais. O conjunto termina numa cornija curvilínea coroada por dois fogaréus.

 

 

 

O pano da muralha voltado a ocidente conserva ainda o adarve (um caminho no topo dos muros de uma fortificação) e merlões (parte saliente de uma muralha ameada), de remate piramidal.

 

 

A Serra da Gardunha, situada entre os rios Ponsul e Zêzere abrange parte das freguesias de Alpedrinha, Castelo Novo e São Vicente da Beira. Orientada no sentido NE-SO, mede cerca de vinte quilómetros de comprimento e de dez da largura. A sua altitude máxima é de mil duzentos e vinte e três metros. Das suas cumeadas avistam-se regiões vastíssimas de Portugal e Espanha.

 

 

Nesta serra realizaram-se grandes e importantes trabalhos de arborização no tempo do rei Lavrador, D. Dinis. A espécie que mais se plantou foi o castanheiro.

 

 

 

 

 

O Largo da Bica, a Praça dos Paços do Concelho e o Largo do Adro, onde se cruzam os arruamentos principais, estruturam o povoado.

 

 

O casario é predominantemente habitacional, construído em granito, de dois pisos com funções distintas: a loja no piso inferior e a habitação no superior.

 

 

 

O desenvolvimento do povoado deu-se a partir do castelo, adaptando-se ao desnivelamento do terreno, configurando uma malha de cariz medieval com ruas sinuosas.

 

 

Os ventos cavalgando os penedos

Abrem lágrimas nos rostos das giestas.

Límpidas são as arestas e a alma da serra:

Do Sul, as aragens mornas carregam

A luz e os aromas na polpa das cerejas.

Do Norte, os gelos das noites luminosas

Moldam as faces telúricas do homem.

Albano Mendes de Matos

Ventos da Gardunha

 

 

“A Serra da Gardunha na hora d’oiro em que o sol se põe, na hora em que se desdobra e desencadeia a sua cavalgada azul, é, não só a mais formosa de todas as serras como porventura a mais misteriosa.

 

 

Não se sabe de que efeitos a contra luz crepuscular se aproveita para que surjam sombras que ao longo dos vales estendem e alargam a treva do seu mistério. Nem tão pouco se conhece a razão do prodígio que num momento demuda o azul opalino do seu véu nos tons carregados de ametista em que a Serra expira...” (Rolão Preto, Prefácio do livro Monte das Giestas, Mapone, Atlântida, Ldª – Coimbra)

 

 

 

 

 

Á semelhança do que se fez em todo o país, em 1940, também Castelo Novo comemorou o III Centenário da Restauração e o VIII da Independência Nacional, erigindo um padrão comemorativo das duas datas heróicas do povo lusíada.

Era, ao tempo, dirigente da Casa do povo local,o saudoso Padre Augusto José Pereira. O cruzeiro ficou a dever-se-lhe.

 

 

 

O castelo foi erguido no reinado de D. Sancho I, parece que por D. Gualdim Pais, com o fim de, dada a sua implantação privilegiada sobre um cabeço da encosta oriental da serra da Gardunha, assegurar a vigilância e a defesa do acesso ao Nordeste do país. Ampliado e reforçado no reinado de D. Dinis, o castelo acusava já um avançado estado de decadência nos alvores do século XVI, pelo que foi mandado reconstruir por D. Manuel I. Entre 1938 e 1942 foi objecto de obras de conservação promovidas pela DGEMN.

 

 

Da fortaleza, parcialmente absorvida pelo crescimento da povoação (para o qual se deverá ter, aliás, recorrido frequentemente à pedraria da fortificação), restam duas torres e alguns troços de muralhas. Mantêm-se também duas das antigas entradas da primitiva cidadela, implantada no ponto mais elevado do outeiro, sobre um afloramento rochoso.

 

Uma das torres remanescentes foi transformada em sineira. De secção quadrangular e sem construções adossadas, é rasgada por duas portas de verga recta e quatro olhais de arco pleno. No alçado oriental , sob o único olhal guarnecido com um sino, dispõe-se um relógio.

 

A outra torre, que pelas suas dimensões deveria ser a de menagem, encontra-se muito destruída, mantendo-se de pé apenas um dos seus cunhais.

 

 

 

Podemos ser tão FIÉIS

a um LUGAR

ou a uma COISA

como somos

a uma PESSOA

Andy Warhol

Amor, Amor, Amor (1995)

 

 

 

 

 

 

Bibliografia:       Fernando Mota de Mattos e Bruno Eiras

Portugal Património Guia-Inventário, volume V Castelo Branco

Círculo de Leitores

 

Castelo Novo

Estudo para uma monografia

Mapone (1975)

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por VANDOVSKY às 18:39
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