Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

As três maçãzinhas de oiro

 

Estamos no tempo do Natal, no tempo de confraternizar, no tempo da magia, da fantasia, da ilusão e por isso o tempo das histórias, contadas à lareira pelos nossos avós, ou contadas por nós aos nossos filhos... Enfim... Aqui fica então mais uma história de tempos que já lá vão... Vamos festejar o tempo da alegria...

 

 

ERAM uma vez três irmãos. O mais pequenino tinha os olhinhos azuis, o cabelo loiro e as faces rosadas como cerejas. Era assim muito bonito. E quanto a bom coração nem se fala. Certa vez, dera a sua merenda a um pobrezinho; e outra encontrando um cãozito que tinha a perna partida, tomá- ra-o ao colo e transportára-o para casa, onde cuidara: dele até que sarasse. Em contrapartida, os seus dois manoseram feios e invejosos. Ora uma manhã, indo o mais pequenino dos irmãos para a serra com as suas cabrinhas, pois era pastor, viu num quintal, à beira do caminho, uma macieira carregada de belas maçãs. E disse-se:

 

- Ah, quem me dera trincar aquelas maçãs! São, na verdade, de fazer crescer água na boca...

Mas, muito embora no quintal não se visse ninguém, o menino seguiu em frente, visto o seu bom coração não lhe permitir que as roubasse. Chegando à serra, puseram-se as cabrinhas a pastar. E o menino, enquanto as guardava, mais uma vez desabafou, porém agora em vós alta:


-Ah,quem me dera trincar aquelas maçãs! São, na verdade, de fazer crescer água na boca...


Palavras não eram ditas, surgiu junto de si uma fada com três maçãs numa das mãos, que, estendendo-lhas, lhe falou assim:


-Não tenhas pena, meu lindo menino, das maçãs do caminho, porque não só é muito feio roubar como também porque eu dou-te estas, que valem muito mais, pois são de oiro e livram o dono da morte. Por isso, não as dês a ninguém... a não ser aos teus paizinhos. E cotinua a portar-te bem, que Nosso Senhor sempre te ajudará ...

 

Por artes de berliques e berloques, sumiu-se a fada, deixando o rapazito muito satisfeito com a prenda. Mas veio a tardinha, e o menino tomou o caminho de casa, mais as suas cabrinhas. E, andando um largo pedaço do caminho, apareceram-lhe os dois manos, que, ao verem asmaçãzinhas de oiro, logo as cobiçaram e lhas pediram. Ele negou-se, porém, a dar-lhas. Então, os irmãos bateram-lhe tanto com um pau, que ele caiu por terra como morto. Posto isto, tentaram abrir-lhe as mãos, para
lhe tirar as maçãzinhas. Mas qual quê?! Quanto mais esforço despendiam, mais as mãos dele apertavam as maçãs. E, vendo que eram inúteis todas as suas tentativas, abriram uma cova e enterraram-no. Pensaram os pais do menino que tinham sido os lobos da serra os ausadores do seu desaparecimento e, por isso, julgando-o já na barriga dos mesmos, choraram grossas lágrimas, pois eram muito seus amigos.

Mas, na cova daquele, não tardou que crescesse uma cana. E um pastor cortou-a e fez dela uma flauta. A levá-Ia porém aos lábios, e ela, em vez de tocara dizer:


 

Toca, toca, ó pastor,

Os meus irmãos me mataram,

Por três maçãzinhas de oiro,

E ao cabo não as levaram.


 

Perante tamanha maravilha, o pastor, encontrando daí a pouco um carvoeiro, propôs-lhe:

 

- Amigo, toca nesta flauta, que ouvirás coisa de espantar!

 

O carvoeiro assim fez, e logo a flauta:


 

Toca, toca, ó carvoeiro,

Os meus irmãos me mataram,

Por três maçãzinhas de oiro,

E ao cabo não as levaram.


 

Passou a flauta de mão em mão, repetindo-se sempre,


com pequenas variações, os dizeres, até que foi ter às dos pais do meru no. E, levando-a estes aos beiços, a mesma também afirmou:


Toca, toca,ó meu pai

Toca, toca, ó minha mãe,

Os meus irmãos me mataram,

Por três maçãzinhas de oiro,

E ao cabo não as levaram.


 

Largaram os pais a flauta e logo perguntaram ao pastor onde a cortara. E, este, sem se fazer rogado, depressa os conduziu ao local. Aí, cavando, encontraram o menino, que imediatamente abriu os olhinhos e se ergueu,
a oferecer-lhes as maçãzinhas, com as seguintes palavras:

 

-Tomai-as,que estais velhos e, com tal remédio, não há mal que vos pegue.

 

E os pais, guardando as maçãzinhas, gozaram de boa saúde durante muitos e muitos anos. Até que, cansados de tanto viver, as devolveram ao filho e foram descansar dos seus trabalhos no regaço de Nosso Senhor. E àquele sucedeu o mesmo, quando, por sua vez, a entregou ao seu filho. E os dois irmãos mal va-
dos?


Oh a esses roeu-lhes a inveja e a vergonha o coração...

- E depois?


“Morreram as vacas

Ficaram os bois".

FIM

"Colecção Formiguinha", nº 1

Editorial Infantil Majora

 

 

Outros Natais

sinto-me:
publicado por VANDOVSKY às 11:55
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