Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

Lisboa e ... emoções

 

 

 

 

 

No Castelo ponho um cotovelo

Em Alfama descanso o olhar

E assim desfaço o novelo

De azul e mar

 

À Ribeira encosto a cabeça

Almofada da cama do Tejo

Com lençóis bordados à pressa

Na cambraia de um beijo

 

Lisboa menina e moça, menina

Da luz que os meus olhos vêem, tão pura

Teus seios são as colinas, varina

Pregão que me traz à porta, ternura

 

Cidade a ponto luz bordada

Toalha à beira mar estendida

Lisboa menina e moça, amada

Cidade mulher da minha vida

 

 

 

  

 

 

No Terreiro eu passo por ti

Mas na Graça, eu vejo-te nua

Quando um pombo te olha sorri

És mulher da rua

 

E no bairro mais alto do sonho

Ponho o fado que soube inventar

Aguardente de vida e medronho

Que me faz cantar

 

Lisboa menina e moça, menina

Da luz que os meus olhos vêem, tão pura

Teus seios são as colinas, varina

Pregão que me traz à porta, ternura

 

Cidade a ponto luz bordada

Toalha à beira mar estendida

Lisboa menina e moça, amada

Cidade mulher da minha vida

 

Lisboa do meu amor, deitada

Cidade por minhas mãos despida

Lisboa menina e moça, amada

Cidade mulher da minha vida

Ary dos Santos

 

 

Lisboa com suas casas 

De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.

Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

 

Balada de Lisboa

 

               Em cada esquina te vais

Em cada esquina te vejo

Esta é a cidade que tem

Teu nome escrito no cais

A cidade onde desenho

Teu rosto com sol e Tejo

 

Caravelas te levaram

Caravelas te perderam

Esta é a cidade onde chegas

Nas manhãs de tua ausência

Tão perto de mim tão longe

Tão fora de seres presente

 

Esta e a cidade onde estás

Como quem não volta mais

Tão dentro de mim tão que 
Nunca ninguém por ninguém

Em cada dia regressas

Em cada dia te vais

 

Em cada rua me foges

Em cada rua te vejo

Tão doente da viagem

Teu rosto de sol e Tejo

Esta é a cidade onde moras

Como quem está de passagem

 

 

Às vezes pergunto se

Às vezes pergunto quem

Esta é a cidade onde estás

Com quem nunca mais vem

Tão longe de mim tão perto

Ninguém assim por ninguém 

 

 

 Manuel Alegre, in "Babilónia"

 

 

 

 

publicado por VANDOVSKY às 20:00
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