Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Porto e ... costumes

 

 

A Vendedeira do Porto                       O Aguadeiro

 

 

Dobrada à Moda do Porto

 

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,

Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

 

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

 

Banheira Foz do Douro                                Padeira

 

 

"ImPORTO-me"

 

ImPORTO-me contigo porque te amo

E não quero ver-te em vil servidão

Sendo mote para escárnio ou maldição

ImPORTO-me contigo

Porque és cinza e verde e invicta

E granítica e nobre e leal

E constróis e exportas o nome de Portugal.

ImPORTO-me porque és Porto

És povo, és berço, és cidade

És palavra, honra e dignidade

És mar revolto e Douro adormecido

És nevoeiro cerrado és neblina doce

És trabalho e luta contra o Poder

És antes quebrar que torcer

És a coragem do Norte

A brisa de Verão e o vento inclemente e forte

És mágoa e a dor bendigo

Mas não serás nunca bobo bajulador ou mendigo

ImPORTO-me contigo

E morro amando-te Meu Porto”

 

 

Maria de Lurdes dos Anjos (Professora)

Nobre Povo Tripeira Gente”

Gailivro

 

 

 

Polícia Civil                                        Vareira

 

Dicionário Tripeiro


A canalha - Crianças, catraios

 

À hora do meio-dia - à hora do almoço

À Meia-hora - Ao meio-dia e meia hora

À minha beira - Ao pé de mim

Aguça - Apara-lápis

Aleijar - Magoar

Alguidar - Recipiente de barro para o arroz de forno

Aloquete - Cadeado

Apanhador - Pá do lixo

Apetitoso - Salgado

Assadeira - Pingadeira

Assapateirado – Mal feito, acabado à pressa

Azeiteiro - Bimbo

Bacia - Alguidar

 

Bagem – Feijão verde

Baronas ou priscas - Beatas

Bijú, moléte - Papo-seco

Bolacha maria - Gaja gorda com cara redonda

Borracha - Elástico

Bouça - Terra com mato

Breca - Cãibra

Broche - Pregadeira

Bueiro - Sargeta

Bufar - Soprar

c*g*-tacos - Pessoa baixinha

Calcadela – Pisadela

Calcar - Pisar

Caleira - Algeroz

Cameleira – Japoneira

Carapins - Botinhas de lã para bebé

 

Carteira – Mala

Catotas – Macacos do nariz

Chibar - Denunciar, fazer queixa

Chuço, guarda-chuva - Chapéu de chuva

Ciclistas – Feijões-frade

Cimbalino ou café - Bica

Coador - Passador

Conduto - Prato principal

Cordões - Atacadores

Coturnos - Peúgas

Cruzeta - Cabide

Damasco - Alperce

Dar aos calcantes - Dar à sola

Embufado - Amuado, ressentido

Entalar-se - Engasgar-se

Ervas - Esparregado

Esbotenado - Lascado

Espilrar - Espirrar

Espinhas - Borbulhas

Estrugido - Refogado

 

Fatia de rolo - Fatia de torta

Fazer o comer - Cozinhar

Ferrar - Morder

Finguelinhas - Pessoa magrinha

Fino - Imperial

Fiúza - Pessoa esperta

Foguete na perna - Malha nos collants

Guarda-sol – Chapéu de sol

Iscas - Pataniscas

Jeco - Cão

Lapada - Sova, tareia

LaBagice - Mistela, mistura de comidas

Limpar os salões - Tirar macacos do nariz

Lôstra - Chapada na cara

Magnório - Nêspera

 

Malga - Taça

Mirolha - Vesgo/a, Estrábico/a

Môina - Polícia

Murcão - Estúpido, de raciocínio lento, pasmado

Ourado - Enjoado, tonto

Ouras - Tontura, vertigem

 

Pascácio - Tolo

Penca - Couve portuguesa

Picheleiro - Canalizador

Pinchar - Saltar, pular

Pingo - Garoto

Pisaduras- Nódoas negras

Porrão - Pote de barro

 

Porta moedas – Carteira

Pote - Penico

Prato sopeiro e ladeiro - Prato de sopa e prato liso

Quarto de banho - Casa de banho

Rêpas - Franja

Ruço - Loiro

Saca – Saco de plástico

Salgalhada – Confusão, trapalhada

Sameira - Carica

 

Sapatilhas - Ténis

SaraiBa - Granizo

SaraiBar - Cair granizo

Sertã - Frigideira

Sôstra, sostrôna - Preguiçosa, desmazelada

Sostrice - Preguiça, moleza

 

Tacão – Salto alto

Testo - Tampa de panela

Tijelinha - Pastel de nata

Touço - Pacóvio, labrego

Toutiço - Cabeça

Trengo/a - Desajeitado, inábil, tosco

Trilhar - Entalar

Tripas - Dobrada

Trolha - Trabalhador da construção civil (engate de trolha, bronzeado à trolha…)

Tropas ou mangalas - Feijão Verde

Volta de ouro - Fio de ouro

 

A Cadeirinha do Porto                            Ferro Velho

 

Azeiteiro                                                Saloia

 

Porto Sentido


Quem vem e atravessa o rio

Junto à serra do Pilar
vê um velho cas
ario
que se estende ate ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa

 

 


 

publicado por VANDOVSKY às 22:51
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