Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Natal... Quero acreditar

 

Cresci na ilusão de que era o Menino Jesus que nos trazia as prendas, acreditava convictamente e conseguia imaginá-lo a descer pela chaminé, para nos deixar as lembranças. Depois começou a escola, a conversa com os amigos, as deconfianças começaram a invadir-me, aos poucos apercebia-me da realidade, as questões surgiam sucessivamente:

 

- Porque será que temos sempre de nos esconder, quando o Menino Jesus vem deixar as prendas? Será ele assim tão timido, ou será feio e podemo-nos assustar ao vê-lo??

 

 

- Porque será que os nossos pais nunca se escondem nos mesmo quarto que nós?... Porque será que têm que ficar sempre os dois, juntos, noutro quarto??... Humm!!! Aqui há coisa!!...

 

 

Mais tarde, já consciente da realidade, eu queria acreditar e continuei a acreditar, depois tinha o meu irmão, mais novo, que também ele acreditava vivamente e chegava mesmo a fugir com medo, quando ouvia algum barulho estranho... Por vezes ficava com receio de tocar nas prendas acabadas de chegar...

 

Dias antes, sempre que tinha oportunidade, eu procurava, por toda a casa, tentava descobrir onde estariam escondidos os presentes, mas nunca dava com eles... E no dia, aí estavam os ditos.....muitos.....enchiam a sala... Fantástico.....

Mais tarde, já consciente da realidade, eu queria acreditar e continuei a acreditar, depois tinha o meu irmão, mais novo, que também ele acreditava vivamente e chegava mesmo a fugir com medo, quando ouvia algum barulho estranho... Por vezes ficava com receio de tocar nas prendas acabadas de chegar...

 

Só mais tarde surgiu o Pai Natal – Claro que o Pai Natal Existe – Gosto de acreditar no Pai Natal, Gosto de todo o imáginário que o envolve, gosto dos duendes, gosto das fadas, gosto da neve, gosto da lareira acesa, gosto dos bolinhos feitos no forno, gosto do cheiro a canela, a maçã, a pinheiro,  gosto da renas, dos esquilos, dos veados, dos ouriços, das nozes, das avelãs...

 

Gosto da ideia de conforto, paz, alegria e gosto das histórias de encantar... e assim aqui fica mais uma história a marcar esta quadra tão especial.

 

As três mentiras da avozinha

 

Era uma vez... Um Rei que andava a passear a cavalo e, quando atravessava uma das suas aldeias, viu uma linda menina à janela. Apeou-se e bateu à porta da respectiva casa, sendo atendido por uma velha.

 

 

- Quem é aquela menina, avózinha? – perguntou o Rei indicando a janela.

 

A velha, que tinha tanto de ambiciosa como o Rei de curioso, lembrou-se  de constituir este bom partido para a moça, que afinal era sua neta. Assim juntou falsa qualidade à beleza, no intuito de conquistar-lhe mais facilmente o coração e respondeu:

 

- É minha neta, Majestade! E, que eu saiba, não há rapariguinha mais prendada no reino. Ela possui a habilidade de fazer uma camisa, capaz de passar pelo fundo de uma agulha.

- Ela que tente então fazer-me uma camisa nessas condições. Se o conseguir, serei seu marido. De contrário, mandá-la-ei matar- acrescentou o Rei, adivinhando a manha da velha.

 

Partiu o Rei, e a moça, que ouvira a conversa e sabia-se incapaz de tal proeza, desfez-se em lágrimas. De repente apareceu-lhe uma mulher  apoida a um cajado e com um saco no braço, que lhe perguntou:

 

- Que tens tu, minha linda menina?

 

E esta logo lhe contou o que acabara de suceder. A mulher então disse-lhe:

 

- Não chores mais, pois eu dou-te a camisa de que precisas. Contudo, imponho para isso uma condição - Que me chames tia no dia do teu casamento.

 

A rapariga concordou e amulher abriu o saco, tirou dele a camisa e entregou-lha, desaparecendo em seguida.

No dia seguinte, aquela foi na companhia da avó, apresentá-la ao Rei. Ma a avó notou que ele não parecia contente e mentiu mais uma vez, dizendo-lhe que a neta era capaz de ouvir a três léguas de distância.

 

- Pois, se assim  é, tem de comprová-lo, para que casemos. Doutra forma, mandarei matá-la.

 

Saíu a menina toda chorosa do paço. Mas, horas depois, estando só, surgiu-lhe a mesma  mulher, que lhe falou assim:

 

- Não te aflijas. O Rei está neste momento a três léguas de distância daqui. Se tu me prometeres chamar tia, no dia do teu casamento, dir-te-ei a conversa que ele a caba de ter com o seu escudeiro.

 

De novo a menina acedeu e amulher logo lhe contou a conversa. O Rei, quando aquela lhe respetiu a dita conversa, é que não se mostrou ainda completamente satisfeito. Por isso, e imediatamente a avó lhe afirmou:

 

- Senhor, alegrai-vos, pois a minha neta também é criatura para fiar uma meada de linho em meia hora.

 

- Então, ou fia e casamos, ou morrerá – determinou o Rei, entregando à menina uma meada de linho, juntamente com uma roca e seu fuso, e ordenou aos seus guardas:

 

- Fechem a pequena num aposento do palácio durante meia hora, a fim de que ela cumpra a tarefa.

A sós, a rapariguinha pôs-se a lamentar mais uma vez a sua má sorte. E, mais uma vez também, lhe surgiu a costumada mulher, que num instante lhe fiou a meada, sob a mesma condição, imposta anteriormente.

 

Ao cabo da meia hora determinada, abriu-se a porta do aposento e a menina disse ao Rei:

 

- Aqui tem fiado, o linho. E a gora lembro a Vossa Majestada que palavra de Rei não volta atrás.

 

Já satisfeito, o Rei casou-se com a moça. Mas, no momento da boda, apresentaram-se, sucessivamente, no salão do banquete, três mulheres feíssimas, possuindo, ora uns olhos, ora umas orelhas, ora uns braços, que, pelo se excessivo tamanha, recordavam bolas de bilhar, orelhas de burro e serpentes.

 

A menina, agora rainha, saudou cada uma delas assim:

 

- Viva, querida tia! Como passa? Deite-me a sua benção...

 

Admirado com o aspecto das intrusas, o Rei perguntou-lhes porque possuiam tão grandes olhos, orelhas e braços. E as mulheres responderam-lhe, à vez:

 

- Saiba, Vossa Majestade, que os meus olhos ficaram assim, por ter de fazer-vos uma camisa, que passasse pelo fundo de uma agulha.

 

- Ai, Real Senhor, para ouvir a vossa conversa com o escudeiro, as orelhas cresceram-me desta maneira!

 

- Fiei, em meia hora, uma meada de linho para a minha sobrinha. E, com tal esforço, os braços ganharam este tamanho.

 

Em face das respostas, o Rei não só percebeu que a noiva o enganara, como também  que, se esta tivesse satisfeito pessoalmente as sua exigências, deixaria de ser linda para tornar-se feíssima, senhora de uns  olhos, de umas orelhas e deuns braços semelhantes aos das três tias.

 

Então, o Rei perdoou-lhe e, com isto, não se arrependeu, pois foi muito feliz no casamento.

 

sinto-me:
publicado por VANDOVSKY às 23:47
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